Este é o meu refúgio, o meu abrigo. Aqui espelho o meu eu, sob a forma dos meus pensamentos feitos palavras...
Sábado, 30 de Abril de 2005
Uma prenda diferente...

Ser mãe é, talvez para a grande maioria das mulheres, a concretização de um desejo profundo, o alcançar de um sonho há muito acalentado e acarinhado.


Ser mãe é, na sua essência mais pura, dar vida à vida e prolongar a nossa própria existência sob a forma de um novo ser, um novo alguém que trazemos a este mundo e que, embora independente, estará para sempre ligado a nós pelo mais forte laço: o amor.


Ser mãe é conhecer de cor as sensações e os gestos, os sentimentos, os afectos; é ouvir o silêncio e compreendê-lo no seu ruído; é escutar o choro e entender as lágrimas mesmo sem palavras; é sofrer e sorrir, caminhando sempre em frente e ultrapassando todos os obstáculos em nome de um amor maior, de uma outra vida que não a sua.


Ser mãe é tudo isto e muito mais, tanto que não haveria tempo ou espaço ou mesmo capacidade de transmitir tudo, escrever tudo, pensar ou dizer tudo o que se pensa, sente, diz, afirma ou acredita ser.


Ser filha é, talvez para outras pessoas como eu, a bênção que contemplou um desejo profundo, o concretizar de um sonho acalentado e acarinhado de meia dúzia de anos.


Ser filha é, nesta essência que em mim encontro, ter dado vida a uma outra vida e, ao longo de todos os anos ao seu lado e ainda hoje, tentar prolongar a sua existência em mim, seja por gestos ou palavras, ou simplesmente por recordá-la a cada dia que passa na minha alma e no meu coração; é sentir ainda hoje a ligação de profundo amor que existia (e creio ainda existir) entre nós.


Ser filha é conhecer de cor as expressões e os gestos, os sentimentos, os afectos; é hoje mais do que nunca ouvir o silêncio da tua ausência e compreender como é o ruído do mesmo que me dói e magoa; é relembrar as emoções, o rir e o chorar e entender as lágrimas de saudades que correm quando as saudades apertam mais do que nunca; é lembrar, é chorar e rir e sorrir, sorrir sempre e caminhando dia-a-dia, procurando sempre ultrapassar todos os obstáculos em nome de um amor eterno, de uma outra vida que passou e será sempre parte da sua.


Ser filha é tudo isto e muito mais, tanto que não haveria tempo ou espaço ou mesmo capacidade de transmitir tudo, escrever tudo, pensar ou dizer tudo o que penso, sinto, digo, afirmo ou acredito ser.


Ser mãe e filha ainda não sei o que é. Não sei se algum dia saberei... mas sei que as saudades que sinto nunca me deixarão esquecer-te.


Adoro-te Mãezinha... E que estas palavras sejam para ti, neste Dia da Mãe como em tantos outros em que te escrevi, a minha prenda.


Beijinhos.


 


Rosália.



publicado por scorpiowoman às 23:34
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Sábado, 23 de Abril de 2005
Como o tempo passa...

joao_miguel1.jpg


Fez ontem um mês que entraste neste mundo e mudaste a nossa vida para sempre. Fizeste-me sentir minúscula perante ti, grande e desajeitada, insignificante até. Quando te vi, meros quinze dias depois, a insegurança em pegar-te foi algo que me afligiu e marcou. Tive tanto medo de te magoar ou deixar cair... Então, quando a tua mãe te colocou nos meus braços... Inundaste o meu coração com o amor mais puro, terno e sentido, num turbilhão de sentimentos que me firzeram (e ainda fazem) oscilar entre o sorriso e a emoção mal contida numa lágrima fugidia.


Meu pequeno grande homem, olho-te nesta fotografia, com pouco mais de 24 horas de vida e sinto que contemplo o milagre da vida, tão belo quanto inexplicável na sua mais pura essência.


Sei que, em breve, te terei de novo nos meus braços e mal posso esperar por esse momento, para apreciar como cresceste desde então, para te sentir, para te falar e ver-te sorrir, olhar para mim e brincar com a chucha ou agarrar os meus dedos.


Até lá... Aqui fica um bocadinho de ti, porque afinal quero que todos saibam que és tu, minha doçura, uma das poucas pessoas (as outras sabem quem são) que fazem o meu coração bater mais forte, sorrir e cantar quando as olho, as sinto, as oiço...


Adoro-te João Miguel!


 


Rosália



publicado por scorpiowoman às 23:32
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Sábado, 16 de Abril de 2005
Brida

Brida PC 2.jpg



Esta é a minha "piratinha", a menina dos meus olhos. Chegou cá a casa com pouco mais de um mês e meio. Foi abandonada à porta de casa de uma amiga e colega de trabalho, com menos de duas semanas de idade e uma infecção de coriza que acabou por roubar-lhe a vista direita. Houve mesmo um veterinário (será que podemos chamar-lhe isso?) que defendeu ser melhor abatê-la do que tratá-la. Com quatro semanas e meia (mais ou menos), foi operada sob anestesia geral para lhe retirarem o globo ocular, entretanto rejeitado pelo organismo. As hipóteses de sobrevivência eram ínfimas. Ela venceu.


Além de preta e "pirata", é uma lutadora. Aqui a dona também foi, para conseguir trazê-la. Ninguém podia ficar com ela e eu sempre quisera um animal. Como tinha medo de cães (já o perdi, pelo menos de alguns!), achei o máximo ter uma gatinha. Não sabia nada sobre gatos ou cuidados inerentes aos mesmos, mas arrisquei.


Chegou assustada, medrosa mas ao fim da tarde já ronronava no meu colo. Durante um mês tive de dar-lhe injecções, xaropes (com uma seringa, sendo que metade da dose era tomada pela minha roupa ou pelo avental), e pôr gotas na vista que ficara, a fim de evitar que cegasse. Foi duro... Já viram o que é pegar num bebé que cabe sentado na palma da vossa mão, pôr-lhe o cachaço e descoberto e espetar lá uma agulha? Pois...


Hoje, quase três anos depois, a minha menina já é mamã (fruto de lhe termos arranjado um companheiro, cujo "tratamento" descuidámos!) e a nossa família já conta com quatro elementos felinos que, a seu tempo, aqui serão apresentados. Por vontade do dono Paulo, que insiste em dizer que não gosta nada deles (e depois é vê-lo na brincadeira com os "pestinhas"!), até já tinham uma homepage exclusivamente deles, mas a dona confessa: Sou louca pelos meus bichanos, adoro-os mas não tenho "pachorra" assim para escrever muito e cuidar de um site. Já o meu cantinho é diferente, não concordam?


"Piratinha" da dona, és a menina dos meus olhos, a minha fiel companheira nos piores momentos que já vivi desde que chegaste e sabes que mais? Só te falta falar... e aprender que a água não se bebe da torneira do lava-louça! Ronrom...


Rosália



publicado por scorpiowoman às 00:49
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Saudades de ti...

2.JPG





Hoje é mais um dia igual a tantos outros. Não é qualquer data em especial, não aconteceu nada marcante, mas por uma vez apetece-me gritar aos quatro ventos (ou apenas ao que sopra lá fora) que tenho saudades de ti.



Não sei qual teria sido a tua reacção a este meu gesto, a estas palavras. Talvez ficasses emocionado, a dizer que já não compreendias estas "modernices".



Sinceramente não sei... Ainda assim, apeteceu-me partilhar com quem por aqui passa um bocadinho de ti, deixar a imagem que ainda hoje recordo do avô rabugento (o meu Avôzinho) que não queria animais em casa, que dizia que não ia ligar nenhuma e que, ao segundo ou terceiro dia de a nossa "piratinha" estar connosco, ao entrar em casa, fez primeiro uma festa à gata e só depois reparou na neta, a segurar na porta da rua, ainda de bochecha esticada à espera do beijo do costume. Não ia ligar nenhuma? Pois sim...



Tenho saudades tuas... Sabes por quê? Porque mais do que meu avô foste meu pai, meu amigo, meu professor. Criaste-me desde os dez anos, levaste-me em inúmeras viagens por este nosso Portugal, enquanto trabalhavas, durante as minhas férias de Verão, "pegaste-me" o gosto pela condução e ensinaste-me truques relacionados com carros que hoje tanto jeito me dão!



Adaptaste-te de uma forma extraordinária à mudança de mentalidades, da sociedade. Muitas vezes nem sequer parecia que estávamos separados por meio século de vida entre nós (quando eu nasci já tu contavas 51 aninhos)... Tinhas um espírito jovem e estavas sempre "em forma". Lembras-te de quando a Mãezinha (minha mãe/tua filha) dizia que nós os dois, ao embirrarmos um com o outro, parecíamos dois rapazes pequenos que a tiravam do sério? Era tão engraçada!



Tantas memórias... Quisera eu transcrever todas e nunca mais daqui sairia. Acho que davam um livro. Já viste o que seria? Deica cá ver um título... Que tal "28 Anos de Memórias"? Pois... também acho que não! Para o que me havia de dar hoje! Deve ser das saudades... Sinto tantas saudades...



Lembras-te das nossas pescarias? Eu também... Lembras-te daquela vez em que a "pescada" fui eu? "Segura a cana! Segura a cana!" E quando a força do puxão da carpa me fez cair sentada no chão e continuou a puxar-me água dentro, agarraste o meu braço e, com os teus 1,93 metros de altura e 118 quilos de peso, puxaste-me de uma só vez para a margem. Rogaste pragas à bicha, que partiu linha e levou isco, anzol e bóia pelas águas da barragem dentro e eu fiquei a olhar para ti, a rir-me com gosto. Dias mais tarde, fiquei também com uma nódoa negra para ajudar contar a história, que ainda hoje me faz rir ao olhar as fotografias de uma "pescadora" descalça e de calções, a pôr os ténis a secar ao sol quente de uma barragem deste nosso Portugal.



Olho para a frente e vejo a fotografia. Recordo o serão em foi tirada... Como nos divertimos. Reclamavas que era um disparate estar a tirar tantas fotografias à nossa "piratinha", mas acabou por ser a melhor ideia que alguma vez tivemos, não achas? Nunca esquecerei as gargalhadas que demos quando a Brida tentou trepar para cima da tua proeminente "barriguinha" ou apanhar o boneco de pelúcia com que a tentavas!



Meu bom gigante, meu querido avô... Dos cinco anos em que fomos só nós os dois ficam também muitas histórias para contar, mas para uma outra altura.



Agora, vou despedir-me como quando sabia que no dia seguinte sairias de madrugada, enquanto eu ainda estaria a dormir, para mais uma pescaria amigável ou um concurso de pesca desportiva algures. Vou deixar-te um bilhete, entalado no teu porta-moedas, para ter a certeza que o vês e lês, e vou escrever:



"Querido Avôzinho, espero que tenhas um dia bom e te divirtas muito! BOA PESCA! Beijinhos da neta reguila e refilona que gosta muito de ti!"



Boa-noite Avôzinho... Até um destes dias!


 


Rosália


 



publicado por scorpiowoman às 00:29
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2005
Um desafio diferente...

Garanto que não sou nada destas coisas, mas a Pé de Vento apanhou-me mesmo de surpresa. Não tive coragem de passar ao lado e fazer de conta que não tinha recebido nada, até porque, de facto, é algo engraçado, que faz sentido e nos faz pensar um pouco. Por isso, para ela um grande beijinho e obrigada por se ter lembrado de mim (também gosto muito de te ler - posso tratar por tu? - e faço-o muitas vezes, embora nem sempre deixe comentário... ).


Ora vamos lá...


Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Parafraseando quem me precedeu, não vi, não li e acho que não vou fazer nem uma coisa, nem outra. Ser um livro é uma imagem deveras interessante... Quem sabe uma biografia, em versão de tragicomédia...


Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Uma vez? Não, muitas! As últimas que me cativaram chamam-se Eragon e Saphira, não esquecendo Jiao Mei.


Qual foi o último livro que compraste?
Boa pergunta... e nem foi há tanto tempo quanto isso. Também, para quem, ultimamente, se esquece quase todos os dias do sítio onde deixa o carro estacionado quando vai para o trabalho (o que é deveras interessante à hora da saída!)... Ora esperem lá um bocadinho... Já sei! Comprei O Código Da Vinci, de Dan Brown, para oferecer ao meu amor e,  para mim, Eragon, de Cristopher Paollini (espero que seja esta a grafia...).



Que livros estás a ler?
Acabei de ler O Perfume de Mei e Cidade dos Ossos.


 


Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Só cinco? Bolas... nem dá para escolher como deve ser! Que tal cinco autores?  Levava a saga de As Brumas de Avalon e obras precedentes da mesma (A Queda da Atlântida, Presságio de Fogo, A Casa da Floresta, A Sacerdotisa de Avalon), sem esquecer A Senhora de Avalon e As Mulheres da Casa do Tigre, de Marion Zimmer Bradley; O Ciclo Pendragon, a hexalogia de Stephen Lawhead; O Mago e O Sétimo Papiro, de Wilbur Smith; Os Maias e os Contos do "nosso" Eça de Queiroz; e todos os livros do Paulo Coelho, principalmente O Alquimista e Rio Piedra, por me fazerem sentir bem.


 


A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
À Rosa Maria. do Azoriana
porque adoro o seu cantinho, a sua escrita, é uma grande mulher (com "M") e por ter saudades das suas palavras! Não te zangas, pois não Rosinha?
À Ana, de O Cantar da Erva,
 porque além de antiga colega de faculdade é, acima de tudo, uma Amiga que escreve belissimamente, tem uma inspiração prodigiosa, é um doce e... quero saber se o nome da mascote do blog foi aceite! Tens de ajudar-me a arranjar uma para o meu :D
Ao meu Paulo, de Frases e Poemas, porque a esta hora está a dormir "ferrado" e assim é uma bela maneira de apanhá-lo e fazê-lo escrever um pouco :D. Tão mazinha... Sabes que te amo muito, não sabes? Para quando uma "cara lavada" ao blog, hum? E umas actualizaçõeszitas, hum? Será que vou ter de ser eu a fazê-las? Ai, ai, ai... Eu amo-te!



Bem, resta-me esperar agora ter cumprido bem a missão que a Ângela me incumbiu... Será?


Respostas aguardam-se!


 


Rosália :*)



 



publicado por scorpiowoman às 00:53
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2005
Pequeno grande homem...
A medo, deixei que a tua mãe passasse o teu pequeno corpo para os meus braços... Senti-me insegura, como se um gesto descuidado da minha parte pudesse colocar a tua existência em risco. Afinal, a tua cabeça cabe na palma da minha mão! Acalmei-me e recebi-te com imenso carinho e amor, naquele que, para mim, foi um momento mágico e indescritível. Ao olhar para duas semanas e cinco dias de vida, ali, junto a mim, senti-me perante o milagre maior de uma vida, a essência mais pura do ser humano, e senti-me pequena, minúscula até, perante este mundo que é uma eterna renovação.
Aninhaste-te de encontro ao meu corpo, entrelaçaste as mãos e tiraste a chucha. Sozinho. Sem ajuda. Abriste os olhitos ensonados e ficaste a olhar para mim, muito sério, como se pensasses "de onde é que eu conheço esta chata que está para aqui a ‘babar-se’ para cima de mim e a dizer-me coisas tolas? Esta voz não me é estranha!". Sorri e tu foste atrás, presenteando-me com um sorriso lindo, cheio de ti.
Falei contigo e disse-te inúmeras coisas que agora já não recordo. O teu sorriso emocionou-me até as lágrimas começarem a espreitar, o que tornou a acontecer quando te aninhaste ainda mais e partiste para o mundo dos sonhos. Embalei-te um pouco mais e beijei-te a cabeça. Que cheirinho a bebé tão bom! Apeteceu-me ficar assim por muito mais tempo... A tua mãe reclamou o teu regresso ao seio materno e devolvi-te, olhando-te maravilhada.
Uma tranquilidade inesperada invadiu-me, como se a simples contemplação do teu ser resolvesse todos os males e fosse a resposta a todas as questões. Senti-me calma, serena, tranquila, emocionada.
Pouco antes de te deixar e regressar a casa, a tua mãe quase me fez chorar. Contigo ao colo, virado para mim, falou por ti: "Tia Rosália, preciso de uma pima pa bincar comigo!"
Eu sei, meu querido. Talvez em breve... Não há nada que mais deseje!
Até lá, acho que vou aproveitar e usufruir do estatuto de tia (mesmo "emprestada") e "estragar-te" com todos os mimos.
Adoro-te meu pequenino... grande no meu coração e no meu amor por ti!

Rosália


publicado por scorpiowoman às 12:16
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2005
Palavras soltas ao vento...
Vai longa a ausência da escrita e confesso que a inspiração também não tem sido muita. Por estes lados reinam a confusão e o cansaço, inerentes a um excesso de trabalho um pouco fora do habitual, muito devido aos últimos acontecimentos por esse Mundo louco fora.
Entra-se de manhã no trabalho e - tirando a folga para uma consulta médica de urgência (motivada por um derrame na vista muito feio) e um jantar muito rápido com a cara-metade - sai-se na madrugada já quase manhã do dia seguinte, entrando em casa ao som dos primeiros trinados dos pássaros madrugadores... Acorda-se meras três horas e meia depois com o ruído das obras no apartamento de baixo.
Trabalho mais, durmo menos... Mas de que me queixo eu se, afinal, é esta a vida de todos nós? Em parte sei que devo até estar grata, por ter um posto de trabalho assegurado e respectiva remuneração idem, o que, nos dias que correm (e tenho plena consciência disso) é uma sorte muito grande.
Ainda assim... custa. Custa muito. Por muito que se goste da profissão, das tarefas que se desempenham, custa ver o dia passar, a noite chegar e entrar na madrugada a ver os diferentes ritmos dos carros que passam do lado de fora da janela, à medida que os tons e cor do próprio céu vão mudando. Conversa-se um pouco para desanuviar, acordar até. Brinca-se dizendo que a equipa que vem de manhã ainda nos vai encontrar e há-de trazer o nosso pequeno-almoço... mas cá bem dentro de nós, pensamos em tudo e em todos aqueles que mais amamos e nos são mais queridos, sozinhos, em casa, deitados numa cama macia, a repousar na nossa ausência que, sabemos também lhes custa, pelo silêncio demasiado ruidoso que impera na casa onde permanecem. É estranho...
Quando saio para a rua, demoro a localizar o carro. Estou tão cansada que tenho falhas de memória constantes. Ah, ali está ele, bem à minha frente. Abrem-me o portão da empresa e saio finalmente a caminho de casa, onde me esperas, dormindo tão tranquilo como um bebé. Conduzo devagar, com medo de alguma desatenção. Apesar de passarem poucos minutos das cinco horas, nunca se sabe. Hoje em dia nunca se sabe o que pode acontecer independentemente das horas que o relógio marca.
Não me lembro de estacionar o carro, nem de abrir o portão ou subir a escada. Não me recordo de nada até, finalmente, sentir o corpo descair lentamente e repousar sobre o colchão, a sensação incrível de pousar a cabeça na almofada ao fim de tantas horas.
Apago a luz.
Fecho os olhos.
Abraço o teu corpo.
De repente... o incrível: Estou sem sono!
"Nunca mais", murmuro. "Estou farta!", indigno-me.
Abraço-me a ti e tento dormir. Passo o fim-de-semana ao melhor estilo zombie. Não me lembro de quase nada, apenas de andar a dormir (quase literalmente) em pé.
"Se precisarem de mim, venho no fim-de-semana" dei hoje por mim a dizer!
Estarei louca? Tu bem deves pensar que sim! Mas é por nós que o faço e sabe-lo bem...
Resumindo e baralhando: Com tudo isto, ainda sou mais "tia" desnaturada do que alguma vez pensei ser e ainda não vi o meu lindo ao vivo e a cores! E ele bem merece... Afinal, estreou-se neste mundo com uma roupinha dada pela "je"! O que vale é que a mamã do meu João Miguel já sabe "o que a casa" desta tia "gasta"... Não é linda?
Quanto a ti meu amor, sei que nunca nada substituirá estes momentos por vezes tão longos em que não fico ao teu lado... A compensação nem sempre justifica, mas enquanto for preciso lá terá de ser!
Amo-te muito meu cavaleiro andante... mesmo com uma enorme birra de sono e um abraço apertado de quem sente que apesar de já ser madrugada quase manhã o amor regressou de novo ao nosso lar, doce lar.

Rosália


publicado por scorpiowoman às 22:43
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