Este é o meu refúgio, o meu abrigo. Aqui espelho o meu eu, sob a forma dos meus pensamentos feitos palavras...
Quarta-feira, 16 de Agosto de 2006
Chuva de Verão

O som das gotas a embater na calçada ergue-se pelo ar e o cheiro a terra molhada entra sem pudor pelas frestas das janelas abertas... Escuto o trânsito que teima em circular lá fora, mesmo a estas horas tardias, e vejo o tempo passar, célere e impiedoso, sem pausas nem intervalos...


Recordo-te a cada instante e na música encontro o refúgio para a tua ausência...


Nas pétalas das flores de um jardim que apenas existe em mim, cada gota é uma lágrima de saudade e um acorde perdido na partitura de uma canção que teimo em relembrar...


 


rainy-red-poppy-petals.jpg


E FOI DEZEMBRO

E foi dezembro
Dito
Em tua voz
Que as minhas mãos
Colheram
Devagar.


E foi dezembro
Escrito
Quando a sós
Tudo disseste
Quase
Sem falar.


Foi um palco
Vazio
A acontecer
No frio
Que se ergueu
Dentro de nós.


Uma distância
O mar
Que se estendeu
A separar da minha
A tua mão.


E foi dezembro
Inteiro
A anunciar
A solidão
Dos dias
Por nascer.


E foi dezembro
À chuva a reviver
As pedras
E os rios
E os luares.





Os nomes
Que vestiam
Os lugares
E os sonhos
Repartidos
Que não fomos.


A coragem
Nascida
De aceitar
A verdade de ser
O que hoje somos.


E foi dezembro
Vivo
Na roseira
Despida
No silencio
Do jardim.


E foi dezembro
Ainda na cegueira
Das asas de uma ave
Que há em ti.


Foi um tempo
De amantes
A aprender
Que não deve esquecer-se
O verbo amar.


Ou um inverno
Apenas
A perder-se
Da primavera
Do primeiro olhar.

Letra: Soledade Martinho Costa
Música: Luís Represas


 



publicado por scorpiowoman às 22:07
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4 comentários:
De delta a 16 de Agosto de 2006 às 23:41
Se quiseres colocar música no teu blog é só dizeres :-)


De delta a 16 de Agosto de 2006 às 23:32
Escreves apenas o que sentes...:-) Essa canção é muito bonita. Beijinhos e tudo de bom


De Roslia a 16 de Agosto de 2006 às 23:10
Bonitos versos estes que citas, há longos anos cantados pelos então Resistência numa música tocante chamada "Aquele Inverno"...


De Nuno Freire a 16 de Agosto de 2006 às 23:06
Perguntei ao céu
sera sempre assim
podera o Inverno
nunca ter um fim
nao sei responder
só talvez lembrar
o que alguém
que voltou, veio contar
recordar


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