Este é o meu refúgio, o meu abrigo. Aqui espelho o meu eu, sob a forma dos meus pensamentos feitos palavras...
Sexta-feira, 11 de Março de 2005
Renovação
Caminho pelas ruas do meu quarteirão, oculta na escuridão que me rodeia, absorta pelo cheiro da terra recém-molhada e da lenha queimada, cujo fumo se escapa pelas chaminés das moradias que se perfilam ao meu lado.
No meu corpo a memória do abraço que ainda me queima a pele, tão vivo na memória e que tanto me custou deixar, enquanto ali ficaste, deitado e semiadormecido, por entre os lençóis, testemunhas imóveis e silenciosas do ímpeto que nos assolou e tomou desprevenidos, fazendo-nos perder um no outro, um com o outro, até sermos um só, imenso em amor e ternura.
Nesses momentos vivo mais, sinto mais e apercebo-me de tudo com a consciente lucidez de como o meu corpo se sobrepõe à razão e se deixa levar, conduzido pela tua voz, pelo teu toque, pelo teu cheiro doce e inebriante.
Cresce então a plenitude inigualável da sensação única de me sentir em ti, embalada pelo sussurro dos teus lábios, dominada pelo toque de seda dos teus dedos, que percorrem cada curva, canto e recanto de mim, subjugada pela secreta luxúria que vais deixando escapar a cada instante que passa até que, juntos, nos regozijamos no prazer imenso alcançado.
É na exaustão que sucede o êxtase que então me quedo, sentindo o teu corpo quente ainda junto ao meu, o cheiro doce de ti em nós, olhando-te enquanto repousas ao meu lado, os teus braços rodeando-me, protegendo-me, acarinhando-me e prolongando a sensação de candura que sempre rodeia estes momentos.
Ergo-me lentamente, aconchegando-te e deixando-te imerso num sono leve e reparador, que por certo te fará despertar mais calmo e descontraído. Silenciosamente, arranjo-me e, ao ver os resquícios da chuva que nos embalou ainda há pouco com a sua melodia, decido sair um pouco. Além da frescura do ar renovado, anseio por sentir o cheiro da terra molhada, ver as ruas desertas, sentir a vida que flui novamente lá fora, tal como em mim. Olho o meu reflexo numa montra e nele encontro o espelho de nós. Redescubro então toda a doçura e pureza do primeiro encontro, do primeiro beijo, da primeira vez...
Decido surpreender-te, embora ainda não saiba bem como, mas certamente me ocorrerá algo, ainda que mais não sejam do que estas meras palavras...
Amo-te.

Rosália


publicado por scorpiowoman às 14:32
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1 comentário:
De paulo povoa a 11 de Março de 2005 às 15:22
e a surpresa não são as palavras, mas sim a vida que transmites e que tens no teu corpo, no teu olhar.
eu aconchego-te para te levar a sonhos belos, sonhos que fazem com que a vida terrena desapareça, e apenas a perfeição do amor prevaleça.
é nestes sonhos que te dou rosas, que te presenteio com os mais doces carinhos, que te faço sentir a mulher que tu és e sempre serás, uma mulher linda, encantadora, com uma beleza extasiante que me deixa sempre de boca aberta e que quando te arranjas deixas os outros para ti com encanto a olhar.
eu amo-te minha princesa, minha sereia deste oceano da vida, porque em mim sempre vives, porque nós somos um só.


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