Foi recolhido por o pensarem cachorro. Pequenino e mais dócil do que um bebé, foi novamente abandonado quando revelado o seu verdadeiro estado (sénior, com uma idade de entre 12 a 14 anos, no mínimo e com múltiplos problemas de saúde). Contactada para tentar encontrar-lhe uma família, ofereci-me como FAT (família de acolhimento temporário).
Depois de uma destartarização e de uma castração, descobriu-se, entre outros problemas, uma anemia não regenerativa e que padecia de Addison (falta de cortisol no organismo). O prognóstico, mais do que reservado, era mau... Chegou-me a ser sugerida, por mais do que uma vez, a eutanásia. Perguntei a quem de direito se ele estava em sofrimento. Após alguns exames, foi-me dito que não e que a apatia que demonstrava podia dever-se às deficiências que o afectavam... Assim sendo, a hipótese sugerida nem sequer foi tida em mais consideração. Além disso, o pequenote mostrou-se um valente lutador, mais do que merecedor de uma segunda oportunidade.
Hoje, seis meses depois, em Janeiro de 2009, o Koala continua a ter as suas dificuldades. É surdo (como tal, fã incontestável das bandas de heavy metal) e sofre de cataratas bilaterais (a vista esquerda está irremediavelmente perdida)... Contudo, experimentem abrir uma cuvette de paté ou dar-lhe a cheirar uma rodela de chouriço... mas tirem os dedos do caminho. Quem avisa ;)...
Quem o vê, pensa que tenho um cachorrinho ao colo, não um sénior já com uma provecta idade canídea. Quem o observa sempre parado, pensa que ele já não tem nada a oferecer a esta vida, mas engana-se. Quem lhe pega ou se chega mais perto para lhe fazer uma festa, admira-se com o seu aspecto rechonchudo e os seus já quase sete quilos de peso. Claro, escusado será dizer que não demorou muito a que passasse de FAT a FAP (família de acolhimento permanente). Como resistir a quem me ensinou mais do que muitos mestres? A quem nunca desistiu quando quase todos desistiram dele?
O Koala ensinou-me que a vida é feita de oportunidades, coragem e perseverança. Só temos de as agarrar e seguir em frente... e se de caminho aparecerem mãos (ou patas) amigas que nos dêem uma forcinha, bem-vindas sejam e que nos acompanhem então rumo ao nosso destino.
Com isto, e rodeada pela minha grande "famelga" de quatro patinhas, deixo-vos o meu desejo de que 2009 seja pleno de luz, harmonia, felicidade e, acima de tudo, entendimento e compreensão entre todos nós e quem nos rodeia, um dia após o outro, nunca esquecendo que cada novo dia é uma bênção, novinha em folha e que nos permite ter a possibilidade de recomeçar e lutar pelo que mais queremos e desejamos.
Um abraço apertado e beijinhos, com umas turras valentes aqui do meu velhotinho à mistura.
Rosália, 01/01/2009
Os meus cantinhos