E é assim, como flor velha, murcha e abandonada que me deixas caída no chão da minha alma, perdida por entre os restos do que um dia, mesmo não o sendo completamente, fomos no mar da cumplicidade que nos unia e julgávamos eterno.
É assim, à semelhança de um corpo quebrado e estropiado, que lentamente se esvanece por entre as brumas de um passado recente e ainda assim já distante, deixado para trás numa qualquer viela ou beco esconso, que me encontro sem rumo nem destino, sem nada.
E é assim que o sol me encontra e me ilumina, como se por entre as grades de uma prisão que me reteve por tempo demais o fizesse.
Assim desperto e, por entre a dor de um coração partido, ferido e que se dilui como se a seiva que é o sangue que me corre nas veias se esvaísse para todo o sempre, procuro encontrar algo que me dê de novo alento para renascer, para viver e não ceder ao doce e tentador chamamento daquela que tantas vezes me ronda e alicia.
E é assim, como flor velha, murcha e abandonada que procuro em mim as forças para novamente florescer e fazer a vida brotar de mim, nem que seja por meras palavras, cujo desenho e sentido me leva um dia mais além nesta rota conturbada do quotidiano.
Rosália, 01/08/2007
Os meus cantinhos