Gota a gota cai a chuva de um céu cinzento e pesado como chumbo. Aqui, no calor do meu lar, aconchego-me enquanto conto os minutos que me separam do fim deste último período de férias que pareceu passar no voo célere de um qualquer pássaro.
Foram dias alegres e tristes, com surpresas boas e outras tantas preocupações. Durante duas semanas, esqueci o trabalho e dei folga à inspiração para escrever. Agora, ei-los que regressam novamente, prestes a enfrentar um novo futuro que se adivinha desconhecido...
Ao ver a chuva cair lá fora, sinto o meu rosto molhado e estaco. Dou-me então conta das lágrimas que rolam pelo meu rosto. Estaco. Compreendo. Choro afinal pela perda do que julguei ter recuperado, enquanto sorrio pela descoberta deste caminho já não tão novo assim que volto a trilhar e, mesmo que insegura e incerta, sei que de alguma forma atingirei a minha meta e, enfim, o equilíbrio.
Sem ti, faltar-me-á alguém a quem me dirigir quando as palavras faltarem e a voz for apenas uma recordação. Contigo, sei que nunca caminharia de novo. Aqui, estarás sempre no meu coração e na minha vida, embora já não no meu dia-a-dia.
Amo-te, sim... Contudo, amar é também saber que há caminhos de um amor de amizade feito, que se trilham a par e passo mas não já no mesmo percurso.
Amo-te... mas já não posso mais. Algo tem de mudar.
Como o tempo lá fora.
Rosália, 22/10/2006
Os meus cantinhos