O som das gotas a embater na calçada ergue-se pelo ar e o cheiro a terra molhada entra sem pudor pelas frestas das janelas abertas... Escuto o trânsito que teima em circular lá fora, mesmo a estas horas tardias, e vejo o tempo passar, célere e impiedoso, sem pausas nem intervalos...
Recordo-te a cada instante e na música encontro o refúgio para a tua ausência...
Nas pétalas das flores de um jardim que apenas existe em mim, cada gota é uma lágrima de saudade e um acorde perdido na partitura de uma canção que teimo em relembrar...
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E FOI DEZEMBRO E foi dezembro Foi um palco Uma distância E foi dezembro E foi dezembro Os nomes A coragem E foi dezembro E foi dezembro Foi um tempo Ou um inverno Â
E foi dezembro
Dito
Em tua voz
Que as minhas mãos
Colheram
Devagar.
Escrito
Quando a sós
Tudo disseste
Quase
Sem falar.
Vazio
A acontecer
No frio
Que se ergueu
Dentro de nós.
O mar
Que se estendeu
A separar da minha
A tua mão.
Inteiro
A anunciar
A solidão
Dos dias
Por nascer.
À chuva a reviver
As pedras
E os rios
E os luares.
Que vestiam
Os lugares
E os sonhos
Repartidos
Que não fomos.
Nascida
De aceitar
A verdade de ser
O que hoje somos.
Vivo
Na roseira
Despida
No silencio
Do jardim.
Ainda na cegueira
Das asas de uma ave
Que há em ti.
De amantes
A aprender
Que não deve esquecer-se
O verbo amar.
Apenas
A perder-se
Da primavera
Do primeiro olhar.
Letra: Soledade Martinho Costa
Música: LuÃs Represas
Os meus cantinhos