Este é o meu refúgio, o meu abrigo. Aqui espelho o meu eu, sob a forma dos meus pensamentos feitos palavras...
Quarta-feira, 6 de Abril de 2005
Palavras soltas ao vento...
Vai longa a ausência da escrita e confesso que a inspiração também não tem sido muita. Por estes lados reinam a confusão e o cansaço, inerentes a um excesso de trabalho um pouco fora do habitual, muito devido aos últimos acontecimentos por esse Mundo louco fora.
Entra-se de manhã no trabalho e - tirando a folga para uma consulta médica de urgência (motivada por um derrame na vista muito feio) e um jantar muito rápido com a cara-metade - sai-se na madrugada já quase manhã do dia seguinte, entrando em casa ao som dos primeiros trinados dos pássaros madrugadores... Acorda-se meras três horas e meia depois com o ruído das obras no apartamento de baixo.
Trabalho mais, durmo menos... Mas de que me queixo eu se, afinal, é esta a vida de todos nós? Em parte sei que devo até estar grata, por ter um posto de trabalho assegurado e respectiva remuneração idem, o que, nos dias que correm (e tenho plena consciência disso) é uma sorte muito grande.
Ainda assim... custa. Custa muito. Por muito que se goste da profissão, das tarefas que se desempenham, custa ver o dia passar, a noite chegar e entrar na madrugada a ver os diferentes ritmos dos carros que passam do lado de fora da janela, à medida que os tons e cor do próprio céu vão mudando. Conversa-se um pouco para desanuviar, acordar até. Brinca-se dizendo que a equipa que vem de manhã ainda nos vai encontrar e há-de trazer o nosso pequeno-almoço... mas cá bem dentro de nós, pensamos em tudo e em todos aqueles que mais amamos e nos são mais queridos, sozinhos, em casa, deitados numa cama macia, a repousar na nossa ausência que, sabemos também lhes custa, pelo silêncio demasiado ruidoso que impera na casa onde permanecem. É estranho...
Quando saio para a rua, demoro a localizar o carro. Estou tão cansada que tenho falhas de memória constantes. Ah, ali está ele, bem à minha frente. Abrem-me o portão da empresa e saio finalmente a caminho de casa, onde me esperas, dormindo tão tranquilo como um bebé. Conduzo devagar, com medo de alguma desatenção. Apesar de passarem poucos minutos das cinco horas, nunca se sabe. Hoje em dia nunca se sabe o que pode acontecer independentemente das horas que o relógio marca.
Não me lembro de estacionar o carro, nem de abrir o portão ou subir a escada. Não me recordo de nada até, finalmente, sentir o corpo descair lentamente e repousar sobre o colchão, a sensação incrível de pousar a cabeça na almofada ao fim de tantas horas.
Apago a luz.
Fecho os olhos.
Abraço o teu corpo.
De repente... o incrível: Estou sem sono!
"Nunca mais", murmuro. "Estou farta!", indigno-me.
Abraço-me a ti e tento dormir. Passo o fim-de-semana ao melhor estilo zombie. Não me lembro de quase nada, apenas de andar a dormir (quase literalmente) em pé.
"Se precisarem de mim, venho no fim-de-semana" dei hoje por mim a dizer!
Estarei louca? Tu bem deves pensar que sim! Mas é por nós que o faço e sabe-lo bem...
Resumindo e baralhando: Com tudo isto, ainda sou mais "tia" desnaturada do que alguma vez pensei ser e ainda não vi o meu lindo ao vivo e a cores! E ele bem merece... Afinal, estreou-se neste mundo com uma roupinha dada pela "je"! O que vale é que a mamã do meu João Miguel já sabe "o que a casa" desta tia "gasta"... Não é linda?
Quanto a ti meu amor, sei que nunca nada substituirá estes momentos por vezes tão longos em que não fico ao teu lado... A compensação nem sempre justifica, mas enquanto for preciso lá terá de ser!
Amo-te muito meu cavaleiro andante... mesmo com uma enorme birra de sono e um abraço apertado de quem sente que apesar de já ser madrugada quase manhã o amor regressou de novo ao nosso lar, doce lar.

Rosália


publicado por scorpiowoman às 22:43
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