"Eu vou guardar cada lugar teu,
ancorado em cada lugar meu.
E hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega
quem não tem medo
de naufragar."
Mafalda Veiga, Cada Lugar Teu
Contigo a meu lado, sei que vamos superar todos os obstáculos.
Amo-te.
Rosália.
É típico, muito típico do bom português passar a vida a queixar-se (e atenção que não falo de cor, também tenho essa "costela"... como boa portuguesa que sou, pois então). Porque chove. Porque faz sol. Porque está muito frio. Porque está calor demais. Porque há vento. Porque não há vento. Ai que as coisas estão tão caras...! Ai, se é tão barato não presta ou veio da China! Enfim, um rol interminável de queixas, queixinhas e queixumes, de lamentos e lamentações a propósito de tudo e ainda mais por causa de nada.
Somos assim, naturalmente insatisfeitos com tudo o que temos e o que não temos, com a Vida em si.
Depois, há dias em que nos deparamos com notícias de outros povos, de outros países, alguns deles até bem próximos, por razões várias, deste cantinho à beira-mar plantado que parecemos estar sempre a minorar, a negligenciar, numa onda constante de pessimismo. Há dias em que nos deparamos com algo como esta notícia. E levamos um senhor murro no estômago! Daqueles valentes, que nos deixam com uma dor e um ardor valentes, que parece que até nos tiram o ar dos pulmões.
Então, por breves momentos, paramos. Páro. E pensa-se:
"Caramba, que sorte tenho de morar neste cantinho à beira-mar plantado, com o clima um bocado trocado mas estável e que não nos prega partidas assim tão grandes!"
Ah e tal e a crise... Crise? Meus senhores, crise só se for a de valores (essa sim cada vez maior e gritante!) com que me deparo todos os dias, desde que saio de casa até que nela volto a entrar, salvo raras excepções, claro está. Crise? Só se for aquela que atinge quem trabalha e cumpre, porque aos outros... enfim.
Crise? Eu teria uma crise se perdesse tudo quanto tenho, mas acima de tudo, todos a quem amo e a quem quero bem de um modo tão cruel como o que aconteceu com estas pessoas (porque o eram, de carne e osso, como nós... embora a distância possa atenuar essa percepção). Aí sim, eu viveria uma crise.
O resto? O resto é relativo... Nunca ninguém disse que a vida é fácil (e qual seria a piada se tudo fosse conseguido sem um bocadinho de luta?), mas não há necessidade de fazer dramas (de que o bom português tanto gosta). Para novelas, já bem bastam as da ficção nacional!
Conformismo? Claro que não. Realismo, se faz favor.
E já agora, aproveitar um bocadinho para viver de facto a vida e dela tirar o devido "sumo", valorizando-nos e a todos quantos nos rodeiam e queremos bem; acreditando que, quando queremos algo, não há impossíveis e apenas depende de nós conquistá-lo; aprendendo que a insatisfação é, apenas, mais um caminho para a não felicidade.
Com esta me vou... Bom fim de semana!
Rosália.
Como postei há alguns dias, 2011 chegou pleno de ideias e de novos projectos (alguns que se vão concretizando devagar, devagarinho, mas vão andando...), todos eles muito queridos e para os quais trabalho (ou melhor, trabalhamos) arduamente todos os dias. De facto, os dias cá em casa têm uma média de 20 horas de duração há já algumas semanas.
A única coisa que me aborrece e com a qual estou a ter uma tremenda dificuldade em lidar é ter passado de uma situação de sufoco, em termos profissionais, em que todos os dias o volume de trabalho era tão grande que parecia quase impossível dar conta de tudo quanto tinha para fazer, para outra de completo tédio, de um vazio absoluto, sendo o horário de trabalho preenchido com absolutamente... nada!
Um dia, tudo bem, até dá para "descansar" de tantas tarefas finalmente resolvidas. Dois, é aborrecido mas vai-se levando. Agora, estamos a falar de uma situação que se arrasta há já algumas semanas... e não parece ter fim. As tarefas são cada vez menores e mais escassas, isto quando as há.
Cá fora, na vida real, avolumam-se os projectos a concretizar, as responsabilidades, as necessidades de um tempo que existe mas é roubado pelo vazio e, simultaneamente, pela imposição da obrigação em cumprir a jornada de oito horas diárias, sem apelo nem agravo, porque o final do mês é escasso mas ainda muito preciso (e dado o panorama geral - cada vez menos animador - também precioso).
Como disse acima, tenho uma imensa dificuldade em lidar com esta situação... e a cada dia que passa a mesma agrava-se.
Que fazer? Sugestões aceitam-se!
... os mais sinceros desejos de um Novo Ano de 2011 pleno de Saúde, Paz e Harmonia, junto de quem mais amam e de todos quantos vos querem bem.
Acima de tudo, sejam felizes!
Rosália
Há já quase dois anos, escrevi-te uma carta de Natal, como fazia quando era pequenina, na qual te deixei o meu pedido para o Natal desse ano: uma família. Nem mais, nem menos.
Hoje, escrevo-te novamente, para te agradecer por teres escutado o meu pedido e por me teres concedido a graça de, finalmente, poder dizer que a tenho. Talvez seja um bocadinho diferente do que está estipulado convencionalmente, mas desde quando convencional é a minha imagem de marca?
Ouviste-me e deste-me Luz e Esperança no meu caminho, fizeste-me acreditar que o Amor e a Harmonia ainda são bênçãos que podem fazer parte do dia-a-dia mais atribulado e, por isso, estou grata do fundo do meu coração.
Ao A. e ao F. devo muita da Alegria que ajuda a colorir os dias mais cinzentos. Eles são o Sol que ilumina a escuridão em que, por vezes, nos deixamos cair, guiando-me e obrigando-me a manter o rumo e a nunca desistir. São a força-motriz que alimenta o meu desejo por chegar, todos os dias, um pouco mais longe, conseguir alcançar um pouco mais dos objectivos que, juntos, traçamos, preencher e dar vida a este nosso viver tão cheio e tão rico.
A., és o melhor namorado, companheiro, "marido" que poderia ter encontrado. Juntos, temos levado por diante muitos projectos e, para tal, vencido diversas batalhas e ultrapassados os mais diversos obstáculos, apoiando-nos mutuamente, estando lá um para o outro sempre que é preciso e, mais importante ainda, quando não é. Temos crescido juntos, tornando-nos pessoas melhores, partilhando sonhos mas também alguns pesadelos, conhecendo-nos sempre um pouco mais e melhor a cada dia que passa. Tens sido o alvo do meu Amor e do meu Carinho e o farol da minha Vida. Amo-te.
F., para mim serás sempre o "miúdo", o "puto", aquele rapazinho com o cabelo cortado à tigela que, de repente, se tornou um jovem com cabelos quase tão compridos quanto os meus (ainda não chegaste lá, mas estás no bom caminho), um espírito único e, juntos, temos já algumas boas histórias para contar e partilhar um dia mais tarde. Quem sabe com o teu irmão ou irmã (se acontecer…) ;-)? És um filho impecável, o teu pai ama-te muito e eu… bem, eu espero que a teres um irmão ou irmã, ele venha a ser tão porreirinho como tu. (Já chega de lamechice agora, está bem? Siga…)
Ao P. e à L. (e aos meus sobrinhos lindos), devo a Amizade ímpar, sem limites, na certeza constatada de que estas são amizades de e para uma vida. Na vossa companhia, tenho-me tornado uma pessoa melhor e, ao partilharmos os momentos menos bons que todos os percursos conhecem, os obstáculos e as dificuldades têm sido, sem dúvida alguma, muito mais fáceis de ultrapassar.
P. és o Melhor Amigo que alguém pode desejar e tens um futuro brilhante à tua frente, se te decidires a agarrar a Vida que tanto menosprezas e a lutar por ti e pelo teu próprio percurso. Nos anos de amizade que nos unem, sempre te disse isto e mantenho. Tens um potencial imenso, só te resta dar-lhe asas e usufruires de todo o teu potencial. Estarei sempre ao teu lado enquanto assim o desejares.
L., és a minha "vecchia sorella", a minha mana do coração e muitas são as histórias que os nossos filhos (bem, pelo menos os teus…), ainda nos ouvirão contar um dia… Uma amizade como a nossa é, como já disse, para a Vida e já foi bem posta à prova, tendo superado todas as provas com distinção, não achas? Adoro-te e isso não muda. Nunca.
E depois há pessoas como o AF, a CM, a ClinhaM, a M e tantas outras, tão especiais, que estão sempre no meu coração, aí vivendo e fazendo parte desta minha grande família, ímpar, única e… minha!
Claro que não posso esquecer os meus "meninos" de quatro patas, felinos e canídeos, sem os quais a minha vida seria… vazia, muito mais pobre e cinzenta, sem graça alguma. Afinal, vocês também são a razão de ser tantas peripécias que culminaram na minha grande família humana :-).
Por tudo isto, obrigada meu Menino Jesus!
O meu desejo para este Natal? Que o melhor deste ano seja o pior do próximo e que… hum… tu sabes :-).
Rosália, 02/12/2010
Os meus cantinhos